Cláudia Horta

5 Mentiras sobre o dinheiro que podem estar a bloquear o teu sucesso (parte 3)

Índice do Artigo

(Tempo de Leitura: 4 minutos)

Mentira 4: Não Mereço Ter Muito Dinheiro

Esta crença tem por base a noção de que eu não mereço as coisas que o dinheiro compra. Como não as mereço, só as posso ter se sofrer o suficiente. Esse sacrifício acontece normalmente através do trabalho. Assim, trabalhando, conquisto o merecimento. Posso então ganhar o dinheiro que me dá acesso às experiências que desejo.

Se reparares, é como se eu não pudesse ter o que desejo sem me sacrificar. Isto vem dos conceitos enraizados do pecado, da culpa e da penitência.

Por exemplo, pensa em algo que gostes muito de fazer, algo que faças de forma espontânea, melhor do que a maioria das pessoas, sem esforço e com prazer. Agora imagina que vês alguém em dificuldade a tentar fazer isso e te ofereces para ajudar essa pessoa. O resultado é muito bom e ela, sentindo necessidade de retribuir, sugere um pagamento em dinheiro. O que dirias?

É um episódio banal, que já aconteceu comigo várias vezes. E vou-te contar o que eu respondi. “Nem penses, não precisas de pagar porque isto não me custou nada!”

Já te aconteceu algo no género? O que respondeste? Conta-me nos comentários!

Episódios como este ajudaram-me a reflectir sobre o que as palavras que usamos nos revelam sobre as nossas crenças inconscientes.

Quando digo: “Nem penses, não me vais dar dinheiro porque isto não me custou nada!” o que está implícito? Que eu não posso receber dinheiro por uma coisa que não me custou nada. Uma coisa que me deu prazer, que foi fácil, em que eu expressei a minha criatividade, até me diverti! Não posso receber dinheiro por uma coisa que me deu satisfação, porque, para merecer o dinheiro, preciso de sofrer!

Mais uma vez, eu descobri que acreditava numa ideia com a qual não concordo!

Acredito que esta seja uma mentira mais comum nas mulheres do que nos homens. Para nós, mulheres, pode ser ainda mais difícil acreditar que merecemos ter dinheiro, pois até há bem pouco tempo as mulheres, em geral, eram, não só financeiramente dependentes dos Homens, como assumiam um papel de subserviência dentro das relações de casal. Por isso, mesmo hoje em dia, pode ser difícil para uma mulher, lidar com a situação de ser a única responsável pelo rendimento de um casal, ou mesmo ter um salário superior ao do companheiro! Ter mais dinheiro do que o marido pode facilmente despertar sentimentos de culpa e ideias de imerecimento.

Uma dica para quem tem dificuldade em vender!

Se também sentes esta dificuldade em receber dinheiro por aquilo que gostas de fazer, vou-te dizer algo que te pode ajudar.

Imagina que prestas um serviço ou ajudas alguém de alguma forma. Vendes um produto, ou serviço ou oportunidade a alguém e essa pessoa paga-te em dinheiro.

Talvez te sintas desconfortável ao pedir ou ao receber o dinheiro porque aquilo que entregaste te deu prazer, foi fácil, foi feito com Amor e entusiasmo!

Pode parecer estranho receber dinheiro em troca de algo que envolve trabalho da tua parte, mas que tu não experiências como um sacrifício!

Se é assim, deixa-me perguntar uma coisa: a pessoa está a dar-te dinheiro em troca de quê?

Já paraste para pensar nisto?

Eu acho que há aqui um equívoco que pode fazer com que seja difícil vender!

O equívoco é este: quando vendes algo (produto, serviço ou oportunidade), o dinheiro que a pessoa te dá não é em troca do teu sacrifício!

É em troca de quê?

Quando vendes algo, o dinheiro que a pessoa te dá, é em troca do valor ela que recebeu!

Não tem a ver contigo, mas com quem recebe!

Mentira 5:  O Dinheiro Não Chega Para Todos

Para eu ter alguém tem que deixar de ter. Esta noção reforça o sentimento de culpa que vem associado ao dinheiro, porque inconscientemente nós sentimos que o nosso dinheiro tem necessariamente de ser à custa de alguém.

A crença de que o dinheiro não chega para todo está embebida no paradigma da escassez e na visão que temos de nós próprias como consumidoras.

Aprendemos na escola que os animais, as plantas e todos os recursos da Terra são para nosso consumo e interiorizamos esta visão de nós como consumidoras, visão essa que sustenta a Sociedade de Consumo que criamos. Esta é a visão que deu forma aos sistemas que actualmente estão a entrar em colapso e a uma forma de estar que não é sustentável para a vida neste planeta. No entanto, a verdade é que não somos consumidoras, mas sim criadoras!

Nós não somos uma encomenda proveniente de outra galáxia e deixada por engano neste planeta para competir com outras encomendas extraviadas pelos recursos limitados da Terra! Nós SOMOS parte da Terra, e a nossa vida faz parte do fluxo Vital do planeta. Estamos permanentemente envolvidos em processos de transformação, e é dessa forma que nos expressamos criativamente no Mundo. Estamos em permanente ligação com o grande ecossistema do planeta.

Não consumimos oxigénio que as plantas têm que produzir para nós! Fazemos parte do fluxo constante que se constitui na vida da atmosfera terrestre, transformando permanentemente o oxigénio em dióxido de carbono, para que as plantas possam transformar o dióxido de carbono em oxigénio.

Não temos que competir por um emprego num mercado de trabalho escasso em que só alguns vão poder sobreviver.

Trazemos em nós o potencial não só para criar novas formas de trabalhar e novas

oportunidades de colaboração com os outros, como para redefinir completamente o que significa o trabalho, encontrar novos modelos de contribuição e retribuição, ou conceber sistemas sociais completamente novos que respeitem o valor inerente de todas as formas de vida do Planeta!

Posso relacionar-me com a vida de duas formas completamente distintas, diria até opostas: Em cada momento, em cada situação que se me depara, posso ver-me como CONSUMIDORA e olhar para fora avaliando os recursos de que preciso e encarando os outros como competidores. Ou posso, a cada momento, ver-me como CRIADORA e encontrar dentro de mim aquilo com o qual sou chamada a contribuir, em colaboração com todos os outros, para cada situação que se me depara.

Não somos consumidoras, mas sim criadoras.

Da mesma forma que todos os outros recursos, também o dinheiro é uma forma de energia que flui continuamente através de nós. Todos os dias recebemos dinheiro em troca de algo e damos dinheiro em troca de algo. Nesta troca contínua de bens materiais, a única certeza é que o saldo inicial será igual ao final – o que trouxemos a esta existência será o que levaremos quando partirmos!

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