Cláudia Horta

5 Mentiras sobre o dinheiro que podem estar a bloquear o teu sucesso (parte 2)

Índice do Artigo

(Tempo de Leitura: 4 minutos)

Neste artigo vou partilhar a segunda e a terceira das 5 Mentiras sobre o dinheiro que podem estar a bloquear o teu sucesso.

Mentira 2: O Dinheiro É Mau

 

Eu cresci a ouvir a minha mãe cantar as músicas da Amália Rodrigues. Uma das letras que me ficou no ouvido foi aquela que diz  que “a alegria da pobreza está nesta grande riqueza de dar e ficar contente”. Só muitos anos mais tarde tive consciência da marca que esta e outras frases no género me provocaram. “a alegria da pobreza”, “a alegria da pobreza”, “a alegria da pobreza”… estás a ver o efeito deste mantra?  Em crianças recebemos estas mensagens repetidamente, ao longo dos anos. Inevitavelmente elas foram moldando toda a nossa estrutura de crenças, a nossa visão, as nossas opiniões.

 

Há muitos preconceitos e crenças em relação ao dinheiro que nós vamos absorvendo desde crianças de forma inconsciente. O dinheiro é muito associado à exploração, à ganância, até à corrupção e ao crime, à ostentação e ao desperdício, ao orgulho e à inveja. Há uma conotação negativa muito grande associada ao dinheiro, ao mesmo tempo que há uma cultura que vem pelo menos do tempo da ditadura, de exaltar a pobreza e o desprendimento, a ideia de que para ser feliz precisamos de muito pouco.

 

Acredito que não concordas com a ideia de que TODOS os ricos são exploradores, corruptos ou criminosos! Eu, pelo menos, certamente que não concordo (ao escrever isto o nome Bill Gates apareceu na minha mente)! No entanto descobri uma coisa muito curiosa! Apesar de não concordar com essa ideia, eu vivia como se acreditasse que é verdade!

Foi assim que descobri que esta era uma das mentiras que eu contava a mim própria. Percebi que esta mentira condicionou durante muito tempo o meu comportamento. Sem que eu o percebesse, esta mentira estava por detrás do facto de eu ter vivido sem me permitir passar por experiências que me trouxessem mais dinheiro do que aquele que eu estava habituada a ter!

 

Quando nós vivemos debaixo desta crença em relação ao dinheiro acontecem duas coisas:

PRIMEIRA COISA QUE ACONTECE

É muito difícil para nós ganharmos muito dinheiro. E não estou a falar em termos absolutos, mas sim em termos relativos: há um patamar de rendimento que nos é confortável e é muito difícil para nós passarmos por uma experiência que nos permita ir para um patamar superior de rendimento, no qual tenhamos um rendimento por exemplo 5 ou 10 vezes superior àquilo a que estamos habituadas e com qual estamos confortáveis.

SEGUNDA COISA QUE ACONTECE

Às vezes, sem nós fazermos nada de especial ou intencional, a vida proporciona-nos a experiência de ter mais dinheiro do que estamos habituadas. Se, de repente, somos atirados para um patamar de rendimento superior ao habitual, então o que vai acontecer é que nos vamos sentir mal. E vamos rapidamente conseguir uma forma de nos livrarmos daquele dinheiro. E é mesmo isso, uma forma de nos livrarmos do dinheiro! Porque é desconfortável, quase como se estivéssemos com uma comichão pelo corpo todo. E vão surgir repetidas situações que nos vão fazer gastar esse dinheiro. Se já passaste por isso talvez recordes ter sentido alguma ansiedade, algum sentido de urgência, à medida que foste gastando o dinheiro. Então, rapidamente o patamar estabiliza no habitual ou até abaixo do nível habitual. Isto é típico deste condicionamento, fruto desta crença de que o dinheiro é negativo, e é mau ter dinheiro.

 

Mentira 3: Para Mim O Dinheiro Não É Importante

Isto é algo que eu disse muitas vezes de forma convicta e que ainda hoje ouço muitas pessoas a dizer muitas vezes. Não consigo ficar indiferente porque posso reconhecer o conflito interno de quem diz isto e, um pouco mais à frente, sem se dar conta da incoerência, diz que gostaria de fazer qualquer coisa mas não pode porque não tem dinheiro para isso…

 

MAIS UMA HISTÓRIA

Enquanto tive um emprego no qual recebia um salário certo ao fim do mês, vivi dentro de uma estreita zona de conforto em relação ao dinheiro. Era como se eu vivesse dentro de um mundo no qual eu não precisava de pensar em dinheiro, não precisava de olhar para o dinheiro, não precisava de gerir o dinheiro que tinha. Era quase como se o dinheiro não existisse! Realmente, criei para mim uma realidade virtual em que eu não precisava de me relacionar de forma responsável e consciente com o dinheiro.

 

O salário era depositado na minha conta todos os meses de forma automática, a maior parte das despesas maiores era efectuada automaticamente por transferência bancária, todo o meu dinheiro estava nessa conta à ordem cujo saldo eu nem sabia qual era, porque tinha estabilizado a minha vida, as minhas rotinas diárias e as minhas despesas dentro do que sabia que era o meu orçamento.

Criei para mim um casulo virtual, e tudo o que estivesse fora dele eu não via, não considerava sequer, não reconhecia como possível, era como se não existisse. Fazer uma viagem maior, comprar um bem maior, um carro novo, um telemóvel mais caro, ou mesmo roupa mais cara, ir comer a um restaurante mais caro, tudo isso estava fora do meu radar. Dentro do meu casulo virtual só existiam as despesas que eu acreditava que eram possíveis ou que eu merecia, e essas eu fazia quase sem pensar e sem precisar de verificar o saldo ou conferir o meu extracto bancário. Realmente, dentro do meu casulo, era como se o dinheiro não existisse, e por isso eu dizia, convictamente, que o dinheiro não é importante para mim! Pudera!

 

Mas nenhum destes comportamentos resultou de uma escolha consciente. Realmente, eu não estava a ver aquilo que estava a fazer, que era limitar a minha experiência de vida, limitar as minhas opções de escolha, limitar as minhas possibilidades em termos de criação, em termos de contribuição, àquele casulo pequeno e fechado onde não são permitidas grandes flutuações de saldo bancário!

 

Então é como se eu me metesse dentro de um casulo no qual eu não preciso de estar a olhar para o dinheiro com muita atenção, com muita consciência, e depois digo, como se fosse uma grande verdade, um ponto de partida, que o dinheiro não é importante. Esta contradição era certamente evidente para quem estava de fora mas eu, fechada dentro daquele casulo, não tinha consciência dela.

Hoje em dia é algo que me custa ver nos outros, este conflito e esta incongruência que faz com que digam que o dinheiro não é importante e passado algum tempo digam que têm um sonho de vida mas que não o estão a realizar porque não podem deixar o emprego, no qual permanecem, afinal, porque precisam de ganhar dinheiro!

(CONTINUA…)

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